
Trabalho 2º ano.
Romantismo
NASCE O ROMANCE; CONTEXTO HISTÓRICO
Gerado sob o impacto da Revolução Industrial e da Revolução Francesa, de fins do século 18, o romantismo surgiu no início do século 19, na Alemanha, França eInglaterra, num momento histórico em que as classes sociais, como as conhecemos hoje, se definiam. Na ocasião, a sociedade se reorganizava e as classes sociais criavam ou redefiniam suas visões da existência e do mundo.
Das classes sociais desse período, a nobreza e a pequena burguesia são as classes que vão atuar essencialmente no movimento romântico. Assim, o romantismo expressa, nas palavras de Karl Mannheim, os sentimentos dos descontentes com a nova ordem socioeconômica, isto é, com o capitalismo industrial.
Recém-afastada do poder pelas revoluções, a nobreza só podia amargar uma nostalgia do Antigo regime. Ao contrário, a pequena burguesia expressava espanto e insegurança, vendo barrados pela grande burguesia, pelos verdadeiros capitalistas, seus projetos de ascensão social, desenvolvidos durante a luta contra a nobreza.
Insatisfeitos e inconformados
Em comum, essas duas classes sociais têm a insatisfação e o inconformismo com a realidade, o que permite compreender muitos traços subjacentes ao movimento romântico. É o caso do escapismo ou evasionismo, a necessidade de escapar ao mundo objetivo, à sociedade, ao tempo presente, em busca de refúgio no mundo subjetivo, no indivíduo, no tempo passado.
A visão de mundo que privilegia o sujeito ou o subjetivismo, elemento essencial ao pensamento romântico, é uma manifestação de amor à liberdade do próprio romantismo, na medida em que constitui uma afirmação dos valores individuais em oposição às normas sociais. É também uma forma de oposição aos valores neoclássicos dos séculos anteriores, cujo racionalismo artístico passou a ser desprezado em favor de um emocionalismo e de um misticismo (este último, por sua vez, ostenta a religião cristã em oposição à mitolologia clássica, que tinha sido revalorizada durante século 18).
Nacionalismo e inovação
Quanto ao subjetivismo, merece ênfase a supervalorização do indivíduo, que tem como contrapartida um certo desprezo pela sociedade. Entretanto, uma ideia de coletividade pode inspirar o Romantismo e ser por ele valorizada: a da união compacta de todos os indivíduos, a da grande coletividade superior às divisões sociais, isto é, a ideia de Pátria, de Nação. Assim, sem trombar com o individualismo, o nacionalismo será outra característica essencial do movimento romântico.
Entranhados nesses fatores de fundo ou conteúdo, vamos encontrar os elementos formais do Romantismo que, devido à liberdade inerente ao subjetivismo, contrapõem-se à contenção formal do Classicismo do século 18. Desse modo, os gêneros tradicionais da literatura passaram a ser questionados e substituídos pela liberdade inventiva e criativa da escola romântica.
No teatro, tornam-se vagos os limites entre a tragédia e a comédia, que se mesclam para originar o drama. Na poesia, formas fixas como o soneto e a ode cedem lugar a composições mais livres, como a balada e a canção e a imensa maioria dos poemas sem forma definida. Finalmente, na prosa, a epopeia entrega o bastão ao romance(particularmente ao romance histórico), gênero cujas origens são polêmicas.
Amores e aventuras
De qualquer modo, é ponto pacífico que a forma romance se propaga e consolida no século 19, tendo se tornado o grande veículo de difusão de ideias, sentimentos e emoções, e inclusive crítica social da época. Dando vazão ao registro dos costumes, à ficção histórica, à narrativa de amores e de aventuras, o romance foi a forma que melhor se adaptou às necessidades expressivas dos autores daquela época.
Da mesma maneira, foi a que melhor serviu ao entretenimento do público leitor de então. Nos centros urbanos, que conheciam um período de franca expansão com a implantação da indústria e dos serviços, a classe média crescia e se consolidava, descobrindo na leitura uma acessível forma de lazer (hoje encontrado na televisão).
Assim, eram os jovens e as mulheres das cidades, com alguns recursos e instrução, que compunham basicamente o público leitor de romances, onde encontravam, em forma narrativa, uma projeção de suas próprias emoções, expectativas, busca de amor e felicidade, e ainda identificava suas desilusões.
O papel da mídia
Além disso, o desenvolvimento do jornalismo no século XIX, com o surgimento de jornais e revistas regulares (diários e semanários) gerou um suporte material que, além de barato e de fácil acesso ao público em geral, se revelou intrinsecamente propício ao romance. Afinal, por apresentar uma narrativa longa, o romance se subdivide em unidades menores, os capítulos.
Assim, o romance romântico do século 19 era publicado, capítulo por capítulo, numa parte dos jornais, no chamado folhetim, espaço cuja função era amenizar o peso e a gravidade das leituras políticas, econômicas, do noticiário em geral, caracterizando-se pela diversão e o entretenimento.
Romantismo no Brasil
CARACTERÍSTICAS E AUTORES
Marco inicial
Publicação de "Suspiros Poéticos e Saudades", de Gonçalves de Magalhães, em 1836.
Marco final
Publicação de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, em 1881, que inaugura o realismo.
Contexto histórico
A Independência é o principal fato político do século 19 e vai determinar os rumos políticos, econômicos e sociais do Brasil até a Proclamação da República (1889). Merece destaque também o Segundo reinado, em que o país conheceu um período de grande desenvolvimento em relação aos três séculos anteriores. Apesar disso tudo, o Brasil continuou um país fundamentalmente agrário, cuja economia se baseava no latifúndio, na monocultura e na mão de obra escrava.
Contexto cultural
Recém independente, o país procura afirmar sua identidade, tentando desenvolver uma cultura própria, baseada em suas raízes indígenas ou sertanejas. No entanto, isso se faz a partir da reprodução dos modelos do romantismo europeu, o que reflete o caráter intrinsecamente contraditório do romatismo brasileiro, ou seja, personagens tipicamente brasileiros, com posturas e características próprias das culturas européias.
Características de estilo
De maneira geral, predominam as mesmas características do romantismo europeu. Contudo, vale mencionar a busca de autores como Gonçalves Dias e José de Alencarde "abrasileirar" a língua portuguesa. Também merecem destaque o Indianismo (que ganhou forma através da prosa romântica e da poesia do Romantismo) e oregionalismo, expressões tipicamente brasileiras do nacionalismo romântico. Com o Romantismo tem início da prosa de ficção brasileira.
Principais autores
· Sousândrade
Prosa
Romantismo no Brasil (2)
CARACTERÍSTICAS DA PROSA ROMÂNTICA
Ao lado do desenvolvimento material que o Brasil assistia no século 19 (período marcado pela Independência do Brasil), tomava impulso a atividade cultural nas principais cidades do país: surgiam teatros, bibliotecas e livrarias. No campo das mentalidades, da Europa para o Brasil, os ventos do romantismo sopravam nessa época.
O romantismo no Brasil, aclimatado às circunstâncias da realidade de nosso território, iniciou-se em 1836, ano de publicação de "Suspiros Poéticos e Saudades", de Gonçalves de Magalhães, e foi até 1880/81 - considerando-se esses anos como o marco inicial do realismo, devido à publicação das "Memórias póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis e de "O mulato", de Aluísio Azevedo.
Romantismo verde-amarelo
Evidentemente, o contexto social em que surgiu e se desenvolveu o Romantismo nos países europeus não é o mesmo que se vai encontrar no Brasil das primeiras décadas do século 19. Por exemplo, seria incorreto identificar sem restrições nossa aristocracia com a nobreza da França ou da Inglaterra, assim como não se pode falar, no sentido estrito, de capitalistas e operários em nosso país até cerca dos anos 1920.
De qualquer modo, o ideário romântico encontrou ressonância em nossos intelectuais do século 19, associado particularmente ao nacionalismo, na medida em que essa característica romântica se revelava útil e agradável a uma nação cuja independência acabara de ser proclamada e que, como vimos, conhecia um período de grande prosperidade.
Exaltação dos nossos mitos nacionais (características que nos identificam particularmente diante de outros países):
· à nossa grandeza territorial;
· à majestade e opulência da Natureza no Brasil (Se hoje em dia, mesmo com tanta devastação, a natureza é exaltada, imagine naquela época, onde grandes cidades ainda não existiam !!!);
· à "igualdade" racial gerada pela miscigenação (a união de todas as raças para a formação da nacionalidade);
· à benevolência e a cordialidade do homem brasileiro;
· à virtude dos costumes patriarcais (zelo da honra e da hospitalidade, por exemplo.);
· às qualidades afetivas e morais da mulher brasileira (com relação ao respeito, a educação, ao senso familiar,...);
· à capacidade de alcançar um alto padrão civilizatório (em meio século);
· Ao pacifismo inerente à política externa do país (naquela época não era interessante ao Brasil entra em confronto com quaisquer outros países, já desde aquele momento os nossos governantes tentavam resolver questões políticas com outros países com civilidade e educação, com conversas civilizadas e respeitosas,...);
Essas características influenciaram também a poesia do romantismo.
Atividades avaliativas:
Buscar ler um livro de algum autor do Romantismo Brasileiro, prosa ou romance , para depois elaborar um fichamento.
Valerá ponto.
Professora Luciana Freitas.
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